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Home ENTRETENIMENTO

Cultura em movimento: projetos do DF levam artistas aos palcos e ao público

Cauhy Andrade Por Cauhy Andrade
28 de outubro de 2025
Em ENTRETENIMENTO
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cultura-em-movimento:-projetos-do-df-levam-artistas-aos-palcos-e-ao-publico

Cultura em movimento: projetos do DF levam artistas aos palcos e ao público

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A arte sempre teve endereço certo no Distrito Federal (DF). Ceilândia, Taguatinga, Gama, Sobradinho e Planaltina mantêm há décadas uma vida cultural intensa, marcada por saraus, batalhas de rap, festas populares e grupos de teatro comunitário. Essas expressões sempre existiram, mas agora ecoam mais longe. O que antes era vivido em praças, escolas, centros comunitários e bares passou a ocupar palcos maiores e a ganhar visibilidade em toda a capital.

Essa conexão entre as diferentes cenas do DF vem se fortalecendo com a ampliação de eventos que estimulam o encontro entre artistas e comunidades. É o caso do show que o sertanejo Leon Correia fez em setembro.

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Nascido e criado no Guará, Leon encantou o público ao se apresentar no mesmo palco que artistas consagrados, como Edson & Hudson e Eduardo Costa. A apresentação foi no Taguaparque, durante a terceira edição do Sesc+Sertanejo, que reuniu milhares de pessoas em uma grande celebração da música popular.

Para Leon, participar de um evento desse porte, em uma região administrativa vizinha à dele, tem um significado especial. “É sempre muito bom estar em eventos atrelados ao Sesc, pela qualidade, excelência na entrega e em tudo o que diz respeito à cultura”, conta.

A visibilidade conquistada nos palcos da capital tem se refletido também fora do país. “Mês passado fizemos a nossa nona turnê nos Estados Unidos. Mês retrasado, em agosto, fizemos nossa primeira turnê na Europa”, comemora.

3 imagensLeon Correia encantou o público com o melhor do sertanejo durante o Sesc+SertanejoLeon Correia encantou o público com o melhor do sertanejo durante o Sesc+SertanejoFechar modal.1 de 3

Leon Correia encantou o público com o melhor do sertanejo durante o Sesc+Sertanejo

Divulgação/Sesc-DF2 de 3

Leon Correia encantou o público com o melhor do sertanejo durante o Sesc+Sertanejo

Divulgação/Sesc-DF3 de 3

Leon Correia encantou o público com o melhor do sertanejo durante o Sesc+Sertanejo

Divulgação/Sesc-DF

O DJ Eddy Viana compartilha uma história parecida. Morador de Ceilândia, o artista fala com entusiasmo sobre a oportunidade de ter se apresentado em um arraiá, também promovido pelo Sesc DF.

Depois da apresentação, vieram convites para outros palcos, entre eles um show ao lado de Natanzinho Lima, no Parque da Cidade, e uma apresentação na Bahia, no município de Serra do Ramalho.

“Foi uma experiência muito boa. Pude rever muitos amigos e mostrar o meu trabalho para quem não conhecia. E como foi um evento de festa junina, pude tocar para um público nordestino que gosta muito de forró e sertanejo”, relembra.

DJ Eddy Viana foi atração do Arraiá do Sesc em Ceilândia

Em 2025, uma série de eventos culturais espalhou apresentações gratuitas de música, teatro, literatura e artes visuais por diferentes regiões administrativas do Distrito Federal. Só as ações promovidas pelo Sesc-DF reuniram mais de meio milhão de pessoas.

“Nosso objetivo é consolidar o Sesc como referência em música, artes cênicas e outras linguagens culturais”, afirma o diretor regional do Sesc-DF, Valcides de Araújo, em entrevista ao Metrópoles. “A receptividade tem sido muito positiva, mostrando a demanda por cultura em espaços públicos”, comemora.

Dados do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), publicados no Mapa das Desigualdades de 2022, reforçam a importância de iniciativas que conseguem chegar a outras regiões administrativas.

Segundo o levantamento, o Sudoeste e a Octogonal lideram o número de domicílios localizados próximos a espaços culturais com 81%, seguidos de Águas Claras (77%), Candangolândia (76%) e Plano Piloto (72%). Já regiões periféricas como Planaltina e São Sebastião registram apenas 17%, enquanto Brazlândia tem 14%. Cidades populosas como Ceilândia e Gama aparecem com 40%.

Palco de memórias e diversidade

A democratização do acesso à arte também passa pelo resgate das histórias que moldaram o imaginário cultural do Distrito Federal. Foi com esse olhar que o dramaturgo Sérgio Maggio levou ao palco do Teatro Sesc Silvio Barbato o espetáculo O Arco-Íris no Concreto, inspirado na trajetória da New Aquarius, primeira boate gay de Brasília, que funcionou no Conic durante a ditadura militar.

7 imagensO dramaturgo Sérgio Maggio levou arte para mais de 900 pessoas por meio do Sesc+CulturaO dramaturgo Sérgio Maggio levou arte para mais de 900 pessoas por meio do Sesc+CulturaO dramaturgo Sérgio Maggio levou arte para mais de 900 pessoas por meio do Sesc+CulturaO dramaturgo Sérgio Maggio levou arte para mais de 900 pessoas por meio do Sesc+CulturaO dramaturgo Sérgio Maggio levou arte para mais de 900 pessoas por meio do Sesc+CulturaFechar modal.1 de 7

O dramaturgo Sérgio Maggio levou arte para mais de 900 pessoas por meio do Sesc+Cultura

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O dramaturgo Sérgio Maggio levou arte para mais de 900 pessoas por meio do Sesc+Cultura

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O dramaturgo Sérgio Maggio levou arte para mais de 900 pessoas por meio do Sesc+Cultura

BRENO ESAKI/METRÓPOLES/@BrenoEsakiFoto

Em 10 dias de apresentações gratuitas, o espetáculo reuniu mais de 900 pessoas e transformou o teatro em um espaço de encontro e acolhimento para o público LGBTQIAPN+. “Tivemos na plateia transformistas que faziam shows na New Aquarius. Para elas, foi como revisitar um passado que não existe mais e também trazer essa memória para 2025, sob uma nova perspectiva”, conta o dramaturgo.

A montagem foi viabilizada pelo Sesc+Cultura, que isenta artistas e produtores do pagamento de taxas para o uso dos espaços culturais da instituição. O incentivo, segundo Maggio, faz toda a diferença: “Isso nos permite investir mais na qualidade da obra e na valorização dos profissionais envolvidos”.

O Grupo Pele, liderado pela bailarina e coreógrafa Catherine Zilá, foi contemplado pela mesma iniciativa que O Arco-Íris no Concreto, para percorrer com o espetáculo de dança contemporânea Pele em Trânsito pelo DF.

A performance passou por Ceilândia, Taguatinga, Plano Piloto e Gama levando ao público quatro peças sobre as diferentes dimensões da experiência humana. “O projeto foi pensado para levar nosso fazer artístico e as reflexões provocadas por ele para o máximo de público possível”, diz Zilá.

“Poder crescer dentro da nossa cidade, com espetáculos autorais e de qualidade técnica e artística reconhecidas, certamente é uma forma de agregar nas vivências culturais de Brasília. Isso fortalece a cena artística da cidade”, acrescenta.

A artista ressalta a importância do apoio de instituições dedicadas ao fortalecimento da cena cultural local. “É uma forma de democratizar o acesso de artistas e incentivar a cultura local, dando espaço de qualidade e oportunidade.”

6 imagensO Grupo Pele levou espetáculos teatrais para quatro locais do DF: Ceilândia, Taguatinga, Plano Piloto e GamaO Grupo Pele levou espetáculos teatrais para quatro locais do DF: Ceilândia, Taguatinga, Plano Piloto e GamaO Grupo Pele levou espetáculos teatrais para quatro locais do DF: Ceilândia, Taguatinga, Plano Piloto e GamaO Grupo Pele levou espetáculos teatrais para quatro locais do DF: Ceilândia, Taguatinga, Plano Piloto e GamaO Grupo Pele levou espetáculos teatrais para quatro locais do DF: Ceilândia, Taguatinga, Plano Piloto e GamaFechar modal.1 de 6

O Grupo Pele levou espetáculos teatrais para quatro locais do DF: Ceilândia, Taguatinga, Plano Piloto e Gama

Divulgação/Vitor Brandão Jr.2 de 6

O Grupo Pele levou espetáculos teatrais para quatro locais do DF: Ceilândia, Taguatinga, Plano Piloto e Gama

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O Grupo Pele levou espetáculos teatrais para quatro locais do DF: Ceilândia, Taguatinga, Plano Piloto e Gama

Divulgação/Vitor Brandão Jr.

Além do impacto cultural, os eventos movimentam a economia local. Segundo o Sesc-DF, cada grande evento gera cerca de 600 empregos diretos, em funções que vão de segurança, brigadistas e serviços gerais à comercialização de bebidas e alimentos, monitoramento e comunicação. Esse número ainda deve aumentar, com o desenvolvimento de outros programas e espaços culturais.

“Estamos em constante desenvolvimento, incorporando novos serviços e experiências. O Sesc quer mostrar que, além da cultura, oferece serviços de bem-estar, educação e cidadania. Já há novas edições do Sesc+Música e Sesc+Cultura previstas para o próximo ano, todas gratuitas”, explica Valcides de Araújo.

“Até a inauguração do futuro Centro Cultural, prevista para 2028, haverá programação trimestral com shows e exposições, para que a comunidade já vivencie o espaço”, complementa o diretor regional do Sesc-DF.

O artista vai até o público

O público, é claro, também aprova as iniciativas. Morador de Ceilândia, o técnico em informática Sérgio Lopes, de 42 anos, acompanhou, em agosto, o show gratuito do cantor Hungria, realizado dentro do projeto Sesc+Rap na cidade.

Ao Metrópoles, ele destacou a oportunidade de ver o ídolo sem um alto gasto com ingressos e transporte. “Fico muito feliz em ter essa chance. Com o preço dos ingressos hoje em dia, muitas vezes é difícil ver de perto e curtir ao vivo as músicas que gostamos. Projetos como esse são essenciais, pois aproximam os artistas da comunidade e tratam a cultura com a importância que ela merece”, avaliou.

Morador de Ceilândia, Sérgio Lopez celebra a oportunidade de vivenciar a arte de maneira gratuita e acessível

Também morador da Ceilândia e fã do rapper responsável pelo sucesso Insônia, Matheus Maciel viveu um momento especial ao assistir uma apresentação de Hungria pela primeira vez. “Ter esse tipo de lazer à disposição, principalmente sem custo, faz um bem enorme. A gente consegue sair da rotina, relaxar e ainda economizar com transporte e ingressos. Só tem vantagem.”

Ele conta que, em outras ocasiões, precisou se desdobrar para acompanhar apresentações no Plano Piloto. “Nas vezes em que não fui de carro, tive que fazer uma missão gigante para conseguir ir, pegando ônibus para o metrô e andando bastante até o estádio, por exemplo. Fora que, para voltar, tinha que pagar caríssimo em um carro de aplicativo, pois não tem mais transporte público à disposição quando os eventos terminam.”

Ações que inspiram

Além de ampliar o acesso à arte, iniciativas voltadas à ocupação de espaços públicos inspiram novos projetos de descentralização da cultura no DF. Um exemplo é o Circula Cultura, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, que leva arte, música e outras expressões culturais diretamente às regiões administrativas — especialmente àquelas com menor oferta de programação contínua.

Em 2024, o programa teve duração de 10 meses e passou por nove cidades com maior índice de vulnerabilidade social. Segundo a Secec, o objetivo é fortalecer o mercado cultural local e valorizar os artistas da capital federal.

“O Circula abre espaço para que artistas, coletivos e grupos da cidade circulem, ampliem a visibilidade e construam novos públicos, ao mesmo tempo em que estimula o mercado cultural local”, ressalta o secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Claudio Abrantes.

Com mais de duas décadas de trajetória, o grupo Só Pra Xamegar foi uma das atrações do programa neste ano. “Esse tipo de projeto é essencial. Ele aumenta a visibilidade dos artistas e leva entretenimento e cultura a quem muitas vezes não tem acesso. Espero que continue impactando positivamente tanto os músicos quanto o público do DF”, afirma o vocalista Diogo Henrique, iniciativas como o Circula Cultura são fundamentais para o fortalecimento da cena local.

O músico também avalia que a participação no programa ajudou a ampliar o alcance da banda. “O Circula Cultura agregou muito à nossa carreira, pois conseguimos levar nossos shows a pessoas que geralmente não conseguem frequentar os locais em que nos apresentamos. Muitos dos nossos fãs mais recentes conheceram nosso trabalho por meio desse projeto.”

Bruno Rios e Diogo Henrique, integrantes da banda Só Pra XamegarA banda Só Pra Xamegar participou do Circula Cultural em Planaltina

Cauhy Andrade

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